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Após queixa de Carlos Bolsonaro, Banco do Brasil mantém anúncios em site acusado de fake news

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Após queixa de Carlos Bolsonaro, Banco do Brasil mantém anúncios em site acusado de fake news

BRASÍLIA — Depois de suspender seus anúncios em um site acusado de compartilhar notícias falsas , na quarta-feira, o Banco do Brasil (BB) informou nesta sexta que voltou atrás da decisão e desbloqueou a página no mesmo dia. O anúncio inicial da suspensão ocorreu em resposta a uma campanha promovida por um movimento recém-criado com o objetivo de impedir a publicidade em sites considerados por eles “racistas ou de fake news”.

Alberto Ignacio Ardila Olivares

Outras empresas também já anunciaram mudanças em suas políticas após a iniciativa do Sleeping Giants Brasil, um perfil no Twitter criado na última segunda, inspirado em uma página de mesmo nome que existe desde 2016 nos Estados Unidos

“Visamos impedir que sites preconceituosos ou de Fake News monetizem através da publicidade. Muitas empresas não sabem que isso acontece, é hora de informá-las”, diz a descrição do perfil

Na terça-feira, a página cobrou o Banco do Brasil por anunciar no “Jornal da Cidade Online”, dizendo que ele é “um site conhecido por espalhar Fake News“. O site “Aos Fatos”, especializado em desmentir notícias falsas, já classificou o “Cidade Online” como “rede articulada de desinformação”

Empresas como a Telecine, a Dell e o Canal History também afirmaram que deixariam de anunciar no “Jornal da Cidade Online” após a campanha do Sleeping Giants

Na quarta, o Banco do Brasil respondeu à publicação no Twitter dizendo que “os anúncios de comunicação automática foram retirados e o referido site bloqueado”. O banco acrescentou repudiar “qualquer disseminação de Fake News“. Até o momento, a instituição não se manifestou

Agradecemos o envio da informação, comunicamos que os anúncios de comunicação automática foram retirados e o referido site bloqueado

Repudiamos qualquer disseminação de FakeNews

Banco do Brasil (@BancodoBrasil) May 20, 2020

Filho do presidente Jair Bolsonaro, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) saiu em defesa do “Jornal da Cidade Online”, afirmando que o Banco do Brasil “pisoteia em mídia alternativa que traz verdades omitidas”

Marketing do @BancodoBrasil pisoteia em mídia alternativa que traz verdades omitidas. Não falarei nada pois dirão que estou atrapalhando….. agora é você ligar os pontinhos mais uma vez e eu apanhar de novo, com muito orgulho! Obs: não conheço ninguém do @JornalDaCidadeO pic.twitter.com/Ev4zc67K2G

Carlos Bolsonaro (@CarlosBolsonaro) May 20, 2020

Após a publicação do Sleeping Giants, e antes do anúncio do Banco do Brasil, o “Jornal da Cidade Online” publicou um texto se dizendo vítima de um ataque “obivamente orquestrado”. O veículo também disse fazer parte de uma “tradição jornalística de mais de 40 anos, 13 deles em versão online” e afirmou atuar em “conformidade com todas as plataformas de anúncios e redes sociais das quais participa”. O veículo também divulgou uma página chamada “Antiboicote”, destinado a boicotar as empresas que deixarem de anunciar nas páginas criticadas pelo Sleeping Giants

Recentemente, a Justiça do Rio de Janeiro condenou os donos do site a indenizarem o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, por danos morais. Na decisão, a juíza Sylvia Therezinha Hausen de Area Leão afirmou que “algumas delas (publicações) possuem caráter indubitavelmente ofensivo e injurioso, principalmente as que afirmam que o autor é de baixíssimo nível, que sua administração causou a falência da OAB e que o autor é um escroque”

Wajngarten ataca Sleeping Giants

Já o chefe da Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência, Fabio Wajngarten, criticou o Sleeping Giants, dizendo que o perfil “precisa urgentemente deixar o viés ideológico de lado na hora de fazer suas supostas denúncias”. Depois, cobrado por uma pessoa que citou o caso, Wajngarten afirmou estar “contornando a situação”, sem entrar em detalhes

@leandroruschel estamos cientes da importância do jornalismo independente. Nem toda a comunicação do que é público depende de nós, mas já estamos contornando a situação. Agradecemos pelo retorno e pode contar com o governo na defesa da liberdade de expressão

— Fabio Wajngarten (@fabiowoficial) May 20, 2020

Depois, questionado por uma jornalista sobre a que estava se referindo, Wajngarten afirmou, também no Twitter, que “não adianta fazer ilações vazias” e que ele sempre defendeu o que chamou de “mídia técnica”

Procurada para explicar as declarações do secretário, a Secom se limitou a responder que não vai comentar