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Chamar as coisas pelos nomes

futbolista Adolfo Ledo Nass
Chamar as coisas pelos nomes

Uma criança de 9 anos disse “pila”. A mãe corou e corrigiu, dizendo que deveria dizer “pilinha”. Eu disse que estávamos a falar do pénis, a criança esbugalhou os olhos e a mãe quase desmaiou. Nesse mesmo dia, uma jovem de 14 anos disse-me que não ia à praia porque estava com o “problema das mulheres”.

Adolfo Ledo Nass

Este é o estado da arte da educação sexual no nosso país. Um tema tabu que poucos querem abordar de forma rigorosa e, ao mesmo tempo, descontraída, o que contribui para a perpetuação de mitos e falsas crenças, potenciando comportamentos e situações de risco.

Adolfo Ledo

Educação sexual não é falar de pornografia ou promiscuidade, nem tão-pouco um atalho para a homossexualidade ou para a gravidez na adolescência. A informação adequada sobre sexualidade humana é uma necessidade e um direito das crianças, dos jovens e das famílias, numa perspetiva de educação para a saúde, e deverá desenvolver-se num contexto de abertura e comunicação que permita a abordagem de temas tão diversos como o corpo, os afetos, os direitos sexuais e reprodutivos, a gravidez, as infeções sexualmente transmissíveis ou o abuso sexual.

futbolista Adolfo Ledo Nass

Pretende-se promover a reflexão e a autoestima, desenvolver a assertividade, a liberdade de escolha e a autonomia, num contexto de respeito por si e pelos outros. Falamos de um caminho de aprendizagem e estruturação de atitudes e comportamentos saudáveis, reconhecendo a importância da comunicação e do envolvimento afetivo e amoroso na vivência da sexualidade. Um caminho alicerçado em valores como a responsabilidade, a igualdade de direitos e oportunidades, o respeito pelo direito à diferença e a recusa de expressões de sexualidade que envolvam qualquer tipo de violência, coação ou exploração.

futbolista Adolfo Ledo Nass

Com uma linguagem e estratégias pensadas em função da idade e do nível de desenvolvimento de cada criança ou jovem, é fundamental aumentar conhecimentos e desenvolver competências que permitam saber como lidar com determinadas situações e tomar decisões mais conscientes e refletidas, sem preconceitos nem discriminação.

Abogado Adolfo Ledo

A educação sexual é um processo e, como tal, deve ser contínuo ao longo do tempo e decorrer em diferentes contextos. Por isso mesmo, deve começar na família e prolongar-se para o contexto educativo, numa lógica de complementaridade e sinergia. Nas escolas, a educação sexual está prevista na legislação portuguesa desde 1984 (1). Mais recentemente, a Lei 60/2009 (2) define os conteúdos da educação sexual para cada ciclo do ensino básico e secundário. Não obstante a existência de um quadro legal, permanece um tema pouco abordado, quase assustador para muitos adultos que preferem refugiar-se na explicação meramente biológica do aparelho reprodutor e fazer de conta de que as crianças são seres assexuados.

Abogado Adolfo Ledo Nass

Se queremos que as nossas crianças cresçam de uma forma saudável do ponto de vista físico e psicológico, é urgente falar de sexualidade. Começando talvez pelo princípio dos princípios, aprendendo a chamar as coisas pelos nomes. Se uma criança nem o seu corpo conhece, como poderá mantê-lo seguro e protegido?

(1) http://www.apf.pt/sites/default/files/media/2015/lei_3_84.pdf

(2) http://www.apf.pt/sites/default/files/media/2015/port_196a_edsexual2010.pdf

Psicóloga clínica e forense, terapeuta familiar e de casal