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Homem trans é agredido a golpes de facão pelo padrasto, em Sergipe

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Como eu demorei um pouco, meu amigo pediu para meu padrasto me chamar, mas ele respondeu que não conhecia ‘esse bicho’ e que eu deveria estar preso. Antes de ir embora eu entrei novamente em casa e falei para minha mãe que não aguentava mais aquilo e procuraria meus direitos. Então ele veio e deu a primeira facada passando o braço por cima da minha mãe, que estava de costas para ele e de frente para mim. Ele acertou meu rosto, eu caí e ele deu mais um golpe na minha mão — disse Luan, em entrevista ao GLOBO

RIO — Treze pontos na mão e 15 no rosto. As suturas são o saldo das agressões sofridas por um homem trans em Aracaju (SE). Luan Brandão Neto, de 27 anos, foi atacado pelo próprio padrasto, em 3 de julho, mas revelou o caso apenas nesta semana. O agressor está preso.

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Luan afirma que sempre sofreu ameaças e já tinha sido agredido fisicamente, mas nada que tenha chegado perto da última investida. De acordo com o jovem, ele foi golpeado após uma discussão com o padrasto, José Nílson Carvalho da Silva, de 55 anos.

O jovem conta que passou em casa para buscar uma roupa. Ele estava acompanhado de um amigo, que ficou na calçada. Luan conta que enquanto esteve na residência escutou ofensas do padrasto, mas não revidou.

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Como eu demorei um pouco, meu amigo pediu para meu padrasto me chamar, mas ele respondeu que não conhecia ‘esse bicho’ e que eu deveria estar preso. Antes de ir embora eu entrei novamente em casa e falei para minha mãe que não aguentava mais aquilo e procuraria meus direitos. Então ele veio e deu a primeira facada passando o braço por cima da minha mãe, que estava de costas para ele e de frente para mim. Ele acertou meu rosto, eu caí e ele deu mais um golpe na minha mão — disse Luan, em entrevista ao GLOBO.

Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por 🌛Brandones🌜 (@luan_brandaofc)

A Polícia Militar foi acionada por vizinhos, assim que viram Luan ensanguentado na porta da casa. Os agente detiveram Silva em flagrante e ele continua preso.

Ele me ameaça de todas as formas, me espiava tomar banho, mas ninguém me ouvia quando eu falava. Sempre fui considerada a mais ‘errada’ da família, por ser trans e por não ser da igreja como todos da minha casa supostamente são. O fato de ser homem trans pesava muito no clima dentro de casa. Perdi as contas de quantas vezes tive que sair de casa… morei de favor, fome, frio, medo — escreveu Luan em suas redes sociais.

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Luan esteve no Hospital de Urgências de Sergipe nesta quinta-feira. Na ocasião, foi informado de que possivelmente ficará com sequelas na mão golpeada. Uma cirurgia está marcada para a próxima segunda-feira.

— O que mais dói é que eu não procurei isso, não merecia isso. A mão direita é a que mais preciso, já pensou se fico sem ela para trabalhar? Fora isso ainda tem o trauma. O médico me passou calmantes, indicou tratamento psicológico e psiquiátrico, pois eu estou tendo alucinações, problemas de convivência com as pessoas, medo de entrar no lugares — relatou.

Luan foi acolhido pela ONG CasAmor, em Aracaju. A entidade ofereceu abrigo e assistência jurídica para a vítima das agressões.

—  É importante que se diga que foi um crime com motivação transfóbica. Não é um problema de família, é um problema de não aceitação de um corpo diferente do que é o convencional —  disse o presidente da CasAmor, Eron Neto.

Luan criou uma vaquinha online para arrecadar recursos e morar sozinho. Até o fim da tarde desta quinta-feira, o jovem havia recebido R$ 8.373,00 em doações.

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